Usamos cookies para métricas e anúncios (Google). Veja nossa Política de Privacidade.

Voltar para NotíciasContratos

Cláusulas abusivas em contratos comerciais: as mais comuns e como se proteger

28 jun 2026

Contratos comerciais são assinados todos os dias em todo tipo de negócio, e a pressa do momento muitas vezes leva as partes a assinar sem leitura cuidadosa. O problema aparece depois, quando uma cláusula que pareceu irrelevante se torna o fundamento de uma cobrança, uma limitação ou uma penalidade inesperada.

Não existe contrato padrão que sirva para todas as situações. Mas há cláusulas que aparecem com frequência e que merecem atenção especial antes de qualquer assinatura.

Multa por rescisão desproporcional

É comum que contratos de longo prazo prevejam multa em caso de rescisão antecipada. O problema surge quando o valor da multa é desproporcional ao tempo restante do contrato ou ao valor do negócio. Uma multa equivalente à integralidade do valor do contrato, por exemplo, pode ser questionada judicialmente com base no artigo 413 do Código Civil, que permite ao juiz reduzir a penalidade quando ela for manifestamente excessiva.

Renovação automática sem aviso prévio adequado

Cláusulas de renovação automática são legítimas, mas precisam estar claras no contrato e prever prazo razoável para manifestação contrária. Quando a renovação ocorre de forma silenciosa, com prazo de notificação mínimo ou sem prazo definido, a parte que não queria renovar pode se ver presa a mais um período contratual sem ter tido oportunidade real de decidir.

Foro de eleição distante

O contrato pode prever que eventuais disputas sejam resolvidas no foro de determinada cidade. Quando essa cidade é distante da sede ou do domicílio de uma das partes, o custo de litigar pode inviabilizar a defesa de direitos legítimos. Essa cláusula é válida entre empresas, mas pode ser questionada quando uma das partes é hipossuficiente na relação ou quando o foro eleito não tem qualquer conexão com o objeto do contrato.

Limitação excessiva de responsabilidade

Algumas cláusulas buscam limitar de forma ampla a responsabilidade de uma das partes por danos causados à outra. Limitações razoáveis são aceitas no direito empresarial, mas cláusulas que excluem responsabilidade por dolo ou culpa grave são consideradas nulas pelo Código Civil.

Exclusividade sem contrapartida

Contratos que impõem exclusividade a uma das partes, impedindo que ela atue com outros parceiros ou clientes, precisam prever contrapartida adequada. Exclusividade sem remuneração compatível pode representar desequilíbrio contratual relevante.

Cláusula de não concorrência sem limitação clara

Cláusulas que proíbem uma parte de atuar em determinado mercado após o encerramento do contrato são válidas, mas precisam ter limitação territorial específica, prazo definido e objeto claro. Proibições genéricas ou de alcance nacional sem justificativa podem ser afastadas judicialmente.

O momento certo de análise é antes da assinatura

Uma vez assinado o contrato, as opções se reduzem. A análise jurídica prévia permite identificar cláusulas problemáticas, propor alterações na negociação e, quando necessário, decidir com informação adequada se o negócio vale as condições propostas. Esse custo preventivo é consistentemente menor do que o custo de litigar depois.

Tem dúvidas sobre este tema?

Preencha o formulário e um advogado do escritório analisará seu caso.

Falar com o escritório